Águeda, a Santa, nasceu em 230 d.C. em Itália. Era uma descendente de uma das mais nobres famílias da Cecília. Devota da fé em Jesus Cristo possuía uma beleza monumental.
Segundo reza a lenda, o governador Quinciano quis tomá-la por esposa mas Águeda dissera que estava entregue à fé de Deus e não ao compromisso com o homem. Desesperado Quinciano prendeu-a e condenou-a, ordenou que a flagelassem com bastões e unhas de ferro e com lâminas mandou cortar-lhe os peitos. Mesmo assim Águeda não cedeu. Iluminada pela luz celestial enquanto sofria, o apóstolo Pedro milagrosamente a curou como se nada lhe tivesse acontecido. Enraivado o imperador ordenou que a arrastassem por carvões acessos e pedaços de telha, e nessa altura um grande terramoto fez estremecer a cidade.
Morreu em 251 e o seu culto espalhou-se a toda a Igreja.
È venerada em Sousela no dia 05 de Fevereiro. Padroeira do leite das mães para seus filhos.
(arq. Sousela à descoberta de Lousada pag 12)Esta Santa, Águeda, começou por ser venerada no ponto mais alto desta serra. Conta a lenda que, depois que a mudaram cá para baixo, apareceu, repetidas vezes, lá em cima porque lhe custava muito largar-se das vistas largas e esplendorosas do alto da serra.
(Lousada antiga, Augusto Soares Moura, pag 140)Em 1059 existe a referência, no rol das herdades e igrejas de Guimarães, como doação de Mumadona Dias, que existia a ermida de S. Veríssimo e seus pertences.
Em 1706, na Coreografia do Padre Carvalho lê-se: “aqui (em Sousela) está a fonte de S. Cristóvão a qual se deu a uma mulher pelos anos de 1642; rebentou em tanta quantidade que lança por três bicas”, Nenhuma referência à Capela de S. Águeda.
Em 1758, Nas Memórias Paroquiais da Freguesia da Ordem, informa que a Serra tem o Lugar da Capela onde esteve antigamente a Santa Águeda que hoje está alagada. Nesse mesmo ano nas Memórias Paroquiais de Sousela faz referência: “ a Capela de S. Cristóvão dos Milagres e a Santa Águeda, debaixo da qual sai uma grande fonte que sangra por três bicas e estão estas duas capelas situadas entre dois montes. Concluí-se então que nesta data a Santa Águeda já estivesse cá em baixo ao lado de S. Cristóvão.
Ainda na mesma Memória refere “(…) a serra da Santa Águeda antigamente esteve no mais alto dela uma capela de mesma Santa e ainda estão lá vestígios dela.”
Em 1915 o Padre Peixoto, no Jornal de Lousada escreveu, “a Capela de Santa Águeda, que deu nome a este lugar esteve, à cerca de 200 anos (agora 300) não aqui no fundo mas lá em cima no alto da Serra que tem a mesma designação. Ainda hoje se (à 100 anos atrás) se pode ver pedras faceadas das paredes da antiga ermida.”
Conclui-se então que em 1706 a Capela de Santa Águeda era lá no alto e em 1758 já morava cá em baixo no mesmo local de hoje em dia, no limite da rua de São Cristóvão, Sousela.
(Lousada antiga, Augusto Soares Moura, pag 630/2ªparte)Do ponto de vista arquitectónico a capela de Santa Águeda tem sua frontaria composta por um arco de volta perfeita com impostas e um grandioso vitral gradeado com uma cruz ao centro. O entablamento é rematado por imagens de santos em granito. Sobrepujando o frontão temos a imagem de São Cristóvão com o Menino, mas já muito mutilada.
O interior está habitualmente vazio, no entanto, o tecto abobadado com caixotões destaca-se por ser a única cobertura do género em Lousada.
A capela está erigida sobre uma fonte cujas águas, assevera o povo, são milagrosas. Esta fonte possui três carrancas (máscaras humanas em pedra) com expressões faciais distintas, a partir das quais jorra a água para um pequeno tanque. Numa placa sobre a tríade de carrancas lê-se a data de 1785.
Ao mesmo tempo da condução do projeto Dinamização e Promoção do Património Local – Sousela, foi realizado um levantamento das epígrafes das estátuas que encimam a Capela de Santa Águeda, com o apoio da Câmara Municipal de Lousada, realizado pelo técnico Arqueólogo Dr. Luís Sousa, em 2014.
Desta forma identificam-se as seguintes representações:
- Santa Apolónia
- Santo Amaro
- São Cristóvão