O Grupo foi fundado em Julho de 1979, pela organização de um cortejo de oferendas organizado por José Teles e Agostinho Cunha, com o fim de angariar fundos para as festas em honra de nossa senhora do Rosário desta freguesia de Sousela, que se realizam no mês de Outubro de cada ano, este grupo iniciou-se como infantil e esse representou novamente em palco nas ditas festas, este sem intenções de prosseguir, como foi notável a sua actuação, surgiu a ideia do seu organizador o jovem José Teles, e este continuou a ensaiar as crianças. Com danças e cantares à sua maneira, e acompanhado por instrumentos musicais, assim prosseguiu levando o grupo a representar em algumas localidades da nossa região.
Dado o interesse manifestado pelos Souselenses pelas tradições populares surgiu a ideia em alguns pais das crianças, em formar uma direção e levar em diante com usos e tradições populares desta região.
Constituíram a direção o Sr. Francisco Moreira, José Carlos Santos, Fernando Sousa, Horácio Miranda, Agostinho Cunha e o ensaiador José Teles.
O Grupo foi crescendo no seu todo, em trajos e danças regionais. Mas nem tudo foram flores, e o desentendimento entre a direção e o ensaiador fez com que este se retirasse, ao qual deu o seu lugar ao mais experiente Arménio Bica, que ensaiou o grupo cerca de três anos, e que por razões pessoais veio a desistir.
A direção fez o convite ao Sr. Claudino Fernandes que aceitou (homem pouco experiente das normas do folclore autentico, mas bom organizador).
O grupo melhorou e durante dois anos, as crianças passaram a jovens e com vontade de continuar no Folclore e outros jovens quiseram integrar. Só havia uma hipótese, passar a adulto, até porque o que se foi apurando, as danças regionais e os cantares eram usados em pessoas de média idade e jovens. Foi a viragem deste grupo a Direção atual fez entrevistas pelas pessoas idosas descobrindo danças e cantares reproduzindo trajos e adquirindo outros originais com que o grupo se apresenta, cantando e dançando modas da nossa terra.
O Grupo de Folclore, desde a sua origem até a atualidade, pertence a uma Associação denominada GACER – Grupo Associativo de Cultura e Estudos Recreativos, que possui estatutos próprios pela qual se rege.
No que respeita ás sua apresentações, nos meses compreendidos entre Abril e Setembro actuou em várias freguesias do concelho de Lousada e noutras também, nomeadamente, Vila da Feira, Sever do Vouga, Arcozelo, Valpaços, Mirandela, Guimarães, Braga, A-Ver-O-Mar, Agrival-Penafiel, etc. sem destaque para as actuações fora do pais. Organizou, vários festivais nacionais do género e teve a honra de contar com figuras ilustres do panorama local e nacional. Tem em Arquivo várias gravações oficiais em cassete e DVD, a primeira em 1987, a segunda em 1991, entre outras, a mais recente registada está gravada em DVD e foi realizada a 09 de Agosto de 2014 inserido no XXX Festival de Folclore as Ceifeirinhas do Vale Mezio. Além das gravações das actuações em palco o Grupo conta ainda com duas gravações de recreações históricas ligadas ao ciclo do milho, que estão em arquivo na posse do próprio grupo.
As danças e os cantares que o Grupo de Folclore “As Ceifeirinhas do Vale Mezio” representa, eram dançados nas eiras, e nos terreiros no fim dos trabalhos agrícolas, tais como: Vindimas, Desfolhadas, Espadelas, Arringas de Linho, etc. e ainda nos largos dos caminhos, aos domingos à tarde. Nas romarias, como a Sra. Aparecida, senhor da Pedra, Sra. do Porto, e outras. Quanto às músicas, assim como as danças, foram recolhidas pelos dirigentes de então conversando com as pessoas idosas desta erra que transmitiam os usos e costumes da sua mocidade, e que até alguns cantores se deixaram gravar enquanto cantavam.
Os trajos que o Grupo de Folclore se mostra são cópia fidedigna dos trajos antigos, que foram cedidos para reproduzir, outros são originais, a sua diversidade, representa várias estações do ano, vários trabalhos agrícolas e várias classes sociais. São confeccionados com tecidos de Chita, riscado, linho, algodão, merino, fazenda de lá, armúr, brocado e seda.
Segue em baixo a descrição dos Trajos:
O Trajo do trabalho, de mulher, é composto por saia, avental e blusa de chita, socos e chapéu de palha. O homem veste calças de cotim e camisa de riscado, calça socos, e chapéu de palha.
O Trajo de ir à feira, a mulher veste saia preta com avental preto, camisa à lavradeira e lenço pelas costas. O homem veste calça e jaqueta de lã preta, e camisa de linho, chapéu e botas de sola.
A Lavradeira rica, traja de cor preta, saia de brocado bordada a vedrilhos, avental de veludo bordado, jaqueta e lenço de tapete pelas costas, calça chinela de sola e verniz. O homem veste calças de algodão, (estilo) jaqueta preta, camisa de linho, chapéu e bota de cabedal preta e faixa.
No que respeita às mulheres trajadas, todas as saias são compridas pelos tornozelos.
Os trajos do que o Grupo enverga e representa são de trabalho, de feira, ir à missa, domingar, festas, lavradeira rica e rendeira. Atualmente ainda são usadas apenas os chapéus de palha, as botas, lenços de merino, aventais, socos, blusas de chita, blusas de seda, e o veludo.
Quanto aos acessórios, ou alfaias, exibe-se sacos de farinha (moleiros), ancinho, malho, foucinha, palha, açafate de varas, toalhas de linho.
Os músicos compõem-se por dois acordeões, uma concertina, duas violas braguesas, um viola baixo, um cavaquinho, bombo e ferrinhos. Todos estes instrumentos são ancestralmente usados nesta região incluindo a freguesia de Sousela.
«Ceifeirinhas do Vale Mezio» [fundado a 1979, representante das tradições populares da região do douro Litoral através de Sousela]